As apostas esportivas e jogos on-line provocaram impactos financeiros e sociais entre brasileiros nos últimos anos. Apenas em 2025, as famílias perderam R$ 62,5 bilhões para as bets, segundo dados do Comitê Nacional de Secretários de Fazenda (Comsefaz). O valor corresponde à diferença entre o total apostado e o que foi devolvido aos jogadores em prêmios. O avanço das plataformas também levou ao aumento da procura por atendimento especializado para pessoas que desenvolveram comportamento compulsivo.
A facilidade de acesso às apostas, disponíveis praticamente 24 horas por dia pelo celular, é apontada por especialistas como um dos fatores que ampliaram o problema. Pessoas em situação de vulnerabilidade ficaram mais expostas a publicidade que apresentava as apostas como uma possível forma de complementar a renda. O problema também alcançou adolescentes: uma pesquisa citada pela Agência Brasil aponta que 20,4% dos estudantes dos anos finais do ensino fundamental e do ensino médio já haviam feito apostas on-line, com relatos de início ainda aos 11 anos.
Os impactos não se limitaram às perdas financeiras. Profissionais de saúde relatam casos de ansiedade, isolamento, desesperança e pensamentos relacionados à morte entre pessoas afetadas pela dependência em jogos. Diante do avanço dos problemas, o SUS ampliou o atendimento a pessoas com transtornos relacionados às apostas. Na última sexta-feira (25), o governo anunciou a proibição das operações das bets no Brasil por meio de medida provisória, além de medidas para devolução de valores e ampliação do acompanhamento de apostadores que necessitem de tratamento.
