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Economia

Ajuste fiscal de Milei reduz em 53% entrada de novos aposentados na Argentina

Mudanças previdenciárias limitaram o acesso à aposentadoria e reduziram o crescimento dos benefícios, enquanto modelo argentino é citado como inspiração pela equipe econômica de Flávio Bolsonaro.

Ajuste fiscal de Milei reduz em 53% entrada de novos aposentados na Argentina

O ajuste fiscal promovido pelo presidente argentino Javier Milei reduziu em 53% o número de pessoas que ingressaram na Previdência Social entre o primeiro semestre de 2024 e o mesmo período de 2026. Segundo os Boletins Estatísticos da Previdência Social da Argentina, o total de novos aposentados caiu de 213,9 mil para 99,6 mil. A redução ocorreu após o governo deixar de renovar, em março de 2025, a moratória previdenciária, mecanismo que permitia a trabalhadores com idade para se aposentar regularizar contribuições pendentes para alcançar o tempo mínimo exigido.

Além de restringir o acesso ao sistema, Milei modificou a fórmula de reajuste das aposentadorias em março de 2024, estabelecendo correções mensais com base na inflação. Antes, o cálculo também considerava a variação dos salários e a arrecadação previdenciária. De acordo com o Centro de Economia Política Argentina (Cepa), a mudança fez com que a aposentadoria mínima deixasse de crescer 21,6% em comparação com o valor que teria alcançado caso a regra anterior continuasse em vigor, considerando junho de 2026. Especialistas ouvidos pela Agência Brasil avaliam que a política contribuiu para a manutenção das perdas no poder de compra dos aposentados.

Modelo argentino entra no debate eleitoral brasileiro
As medidas adotadas na Argentina ganharam espaço no debate político brasileiro após a equipe econômica da campanha de Flávio Bolsonaro (PL) apontar o governo Milei como referência para um possível ajuste nas contas públicas. A economista Daniella Marques, coordenadora da equipe econômica do senador, afirmou que a experiência argentina é uma inspiração. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), por sua vez, cobra esclarecimentos sobre o chamado “tesouraço” anunciado por Flávio, que nega a intenção de cortar recursos das aposentadorias e dos programas sociais. Na Argentina, outras medidas também atingiram os idosos, como a restrição à gratuidade de medicamentos pelo sistema público de assistência previdenciária, provocando críticas e protestos de aposentados.